quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vestígios de uma aprendizagem

Muito se discute sobre o ritmo dos trabalhos em geral, e particularmente, na universidade. E nesse momento do ano, de fechamento e abertura,  parece que o inevitável cansaço nos impele a novos propósitos. Pensando bem e apesar de tudo, foram muitas aprendizagens e em diversos níveis.

O desafio de ensinar/aprender/compartilhar/construir novos saberes nas salas de aulas, nas orientações, nos grupos de pesquisa, nos eventos, e nas bancas. Enfim, nos diferentes momentos e compromissos da vida acadêmica sempre temos a oportunidade de nos formar. E aqui gostaria de agradecer por todas essas possibilidades que deixaram seus vestígios e que de uma forma ou de outra prometem novas parcerias.

A participação na Banca de Defesa da Tese de Doutorado A constituição da docência no ensino médio no Brasil contemporâneo: uma analítica de governo, de Roberto Rafael Dias da Silva, defendida na UNISINUS, sob orientação de Eli Terezinha Henn Fabris, foi um desses momentos especiais.Tanto pela possibilidade de diálogo com o trabalho em si, como pelo diálogo a partir dos diversos olhares dos colegas da banca sobre o mesmo trabalho. Arquitetura de um trabalho primoroso, erudição sem hermetismo que captura o sujeito de si...

Encontrar colegas e amigos em eventos como INTERCOM, ANPED, SOCINE, para além das trocas científicas e acadêmicas revela a importância das trocas afetivas e as possibilidades de novos trabalhos e pesquisas em parceria, que trazem o desafio de lidar com o pensar diferente. Por isso mesmo tão instigante e enriquecedor.

Conhecer projetos e experiências que tratam de questões afins aos temas que nos mobilizam  é sempre muito gratificante. Foi assim com o Programa de Alfabetização Audiovisual, da Secretaria Municipal de Educação e da Cultura de Porto Alegre, que em parceria com a FACED/UFRGS, organizou  o Painel A Presença do Audiovisual na Escola. Compromisso com a formação, sensibilidade, cultura e arte revelado no trabalho das organizadoras do evento Maria Angelica dos Santos, Andrea Merlo, Maria Carmem Barbosa com colaboração e parceria de  Giba Assis Brasil, Ana Luiza Azevedo, entre muitos outros que atuam no circuito cinema e educação.

As inúmeras aprendizagens  e experiências éticas e estéticas que são construídas junto ao grupo de pesquisa e que o trabalho de orientação também propicia. Entre os que ficam e os que estão de passagem, o desafio de configurar um trabalho coletivo assegurando a autoria de cada um nesse movimento e seus tantos deslocamentos.

Por fim, o trabalho de coordenação de um curso e a possibilidade de olhar outros aspectos que constituem o processo formativo de estudantes e professores. Para além das questões administrativas e institucionais, a possibilidade de promover um processo de avaliação de um currículo em implantação inevitavelmente coloca em jogo diversas demandas, um quebra-cabeça que  por vezes se parece mais como um cubo mágico: o lado dos estudantes e suas reivindicações, o lado  dos professores e suas questões, o lado dos departamentos e suas condições, o  lado dos servidores, da direção, das pro-reitorias, da reitoria, sem falar no lado das exigências do próprio ministério da educação e seus sistemas de avaliação. É nesse processo que situo as aprendizagens que a coordenação de um curso propicia: aprender a lidar com o avesso do avesso dos diversos interesses que constroem o próprio curso.

Obviamente muitas outras pessoas e situações fizeram parte desse processo e deixaram suas marcas... tal como cada musicista de uma orquestra que vai regendo sua própria música, como mostra este belo vídeo da Youth Orchestra of Bahia e seu Tico-Tico no fubá, que recebi de um amigo e compartilho!



sábado, 3 de dezembro de 2011

Um olhar para educação, mídia e vida cotidiana


A disciplina  Educação, Mídia e Vida Cotidiana - ministrada pela Profa. Dra. Lynn Alves  e pelo Prof. Dr. Augusto Cesar Rios Leiro  no Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Estadual da Bahia, PPGEduc da UNEB, em Salvador - trata da relação entre as categorias teóricas educação e mídia sob o olhar da vida cotidiana, estuda as diversas possibilidades midiáticas e analisa criticamente as experiências nesse campo. Como o diálogo com diversos professores e pesquisadores de áreas afins faz parte da proposta do plano de atividades da disciplina, fui convidada para participar do encerramento do semestre, no dia 2/12/2011, com a palestra Educação e Mídia: olhares e desafios.

O início do trabalhos começou com uma breve performance teatral para divulgar o espetáculo Quem é ela , que tem no elenco uma estudante da disciplina. Ao trazer fragmentos do universo feminino sobre a condição de muitas mulheres, a intenção era trazer um pouco do teatro à universidade como convite ao debate de temas como: preconceito, submissão, violência, assédio, agressão, poder e força feminina, enfatizando aspectos da Lei Maria da Penha. E isso foi feito com arte, humor, música, poesia, informação e grande presença de cena. 

Ao assistir e me divertir com certas cenas do cotidiano, representadas naquela performance artística no espaço de uma sala de aula, fiquei pensando no quanto a arte e a cultura podem qualificar nosso trabalho em educação. Nesse caso, a disciplina poderia ter sido lindamente encerrada com a leveza deste divertido momento.

No entanto, tinha que fazer a minha parte, e como planejado, iniciei minha fala  trazendo também alguns elementos de outra arte, o documentário Janela da alma (de Joao Jardim e Walter Carvalho), para pensar educação, mídia e cultura a partir da dimensão do olhar e do fazer na cultura digital. Calvino e a visibilidade como valor literário, o fotógrafo cego Bavcar e a cegueira generalizada, o diretor cinematográfico Wenders e a questão do enquadramento das imagens que devem servir às histórias, e o escritor Saramago sintetizando a possibilidade desse nosso jeito de ver que é único foram a inspiração para o estranhamento no pensar as diferentes enunciações, os diversos modos de ver e atuar na complexidade desses espaços plurais em que nos constituímos. Entre visibilidades e cegueiras, imagens, enquadramentos e possibilidades de ver, a intenção era problematizar o atravessamento da mídia na vida cotidiana buscando elementos para pensar a mediação pedagógica entre público-privado e aprendizagem formal-informal num momento em que crianças e jovens são cada vez menos espectadores e cada vez mais atores e produtores de imagens e mídias que compartilham nas redes sociais. 

Essas novas formas de práticas culturais e de consumo situam-se no contexto da sociedade multitela, onde certas tecnologias entendidas como objetos sociais podem ser vistas como verdadeiros atores sociais no entendimento de E. Goffmann. Para ele, o mundo digital é um  cenário de ação e nesse cenário,  por exemplo, o celular pode ser visto como um ator social, uma vez que também atua no espaço, faz coisas e nos faz fazer coisas também, sendo mais que uma simples ferramenta. E a partir desse exemplo, os usos de outras tecnologias também estão modificando a relação entre esfera pública, mídia digitais e educação, fazendo-nos pensar em outras relações entre a ordem da visão, ação e participação na cultura. 

O entendimento da mídia como cultura, para além da dimensão ferramenta, implica perceber também outras possibilidades em relação aos direitos civis e à construção da cidadania política, social e cultural. Entre as diversas possibilidades, estão as que a cultura digital promove sobretudo a partir das tecnologias móveis, e isso traz outros elementos para pensar a mídia-educação. Afinal, as formas da cidadania desafiada pelas novas mídias sugerem que o paradigma da leitura crítica parece ser insuficiente para pensar uma produção ética-estética responsável, levando alguns estudiosos da área a falar em new media education.

Na direção de uma abordagem ecológica e culturalista da mídia-educação, podemos redimensionar seu o entendimento para além de um campo em construção pensando em posturas mídia-educativas. Afinal, o contexto da cultura da convergencia de tecnologias e linguagens traz outras demandas para entendermos as diferentes formas e apropriação das múltiplas linguagens ou multiliteracies, dos novos letramentos e suas produções escritas, visuais, audiovisuais, musicais, teatrais, corporais, digitais, etc.  E nessa perspectiva de entender a mídia-educação também como linguagem e postura, a mídia-educação pode tornar-se a própria educação, como defende Rivoltella.

Em tal abordagem, as possibilidades de pesquisa no campo da mídia-educação nos desafiam a pensar crianças, jovens e professores e suas relações com a cultura, tais como algumas investigações sobre crianças e cinema; usos das mídias, consumos culturais e competências digitais dos professores; tecnologias móveis e seus desafios teórico-metodológicos. Aliado a isso, o desafio das dimensões educativa, política e ativista para configurar a escola como lugar de educar  sobre, com e através das mídias como possibilidade de formação de si, devir, descoberta e construção de novas formas de participação. 

No momento da discussão de algumas destas questões, a evidência de diversas inquietações de projetos de pesquisas que aproximam pessoas, e que por sua vez realizam estudos afins e configuram outras possibilidades fechar um trabalho e de fazer um outro começo de conversa...

Por fim, não posso deixar de mencionar a gentileza na acolhida, na hospitalidade do grupo e na deliciosa companhia às atividades gastronômicas e culturais, que afetivamente trazem mais sabor ao saber e aos nossos modos de ser.

sábado, 26 de novembro de 2011

Produção cultural de estudantes

Na disciplina Conhecimento, Jogo, Interação e Linguagens oferecida ao curso de Pedagogia da UFSC ao longo do semestre 2011.2 abordamos diversos aspectos sobre as implicações educacionais do jogo, da interação e das linguagens como base para a construção do conhecimento na infância. Discutimos diferentes estratégias metodológicas e seus indicadores para a ação pedagógica em diferentes contextos educativos.  A ênfase nas múltiplas linguagens das crianças: não-verbal, verbal, gestual, corporal, plástica, pictórica, lúdica, musical, escrita, audiovisual e digital e outras articulava-se à produção cultural das e para as crianças. O objetivo era o de oferecer um quadro geral a respeito da importância do jogo, das interações e das múltiplas linguagens como eixo para a construção de conhecimento na infância e na prática pedagógica com crianças. 

Seguindo alguns pressupostos de Freinet, aprender fazendo, refletindo e se expressando, por vezes a sala de aula transformou-se num laboratório onde realizamos diversas oficinas: análise de brinquedos, narração de histórias, introdução ao audiovisual, linguagem musical, teatro e jogos teatrais. Para refletir e fazer uma síntese desse percurso, a atividade final seria a elaboração/criação individual de uma produção cultural para as crianças com apresentação e socialização para o grupo. Este trabalho deveria envolver uma fundamentação teórica e metodológica sobre a importância e os motivos da escolha do tema da referida produção cultural, suas intencionalidades, regras e linguagens, as interações possíveis e suas formas de mediação pedagógica com um slogan-síntese.

No momento da apresentação, o grupo presenciou a autoria de cada estudante com certo encantamento ao compartilhar “5 Marias”, “Caixa encantada e a linguagem teatral”, “Salada de frutas”, “Só perguntas”, “Mini-cinema”, “Batuque”, “Quebra-cabeça numérico”, “Mímica e movimento”, “Memorix”, “Porquinhos reciclados”,”Baratinho”, “Boneca estrela”, “Jogo de memória nº/quantidade”. 

Ao relatar a experiência do fazer e as várias linguagens presentes em tais produções, ficou evidenciado o quanto o trabalho de pesquisa por detrás de cada produção estava relacionado com a experiência pessoal/acadêmica/profissional de cada estudante, e o resultado ficou “a cara da pessoa”, disse uma estudante. E eu acrescentaria: ficou uma pequena amostra e expressão do trabalho propiciado na disciplina, com todos os limites e as possibilidades construídas a partir das propostas feitas pela professora mais o envolvimento e a participação de cada um no grupo. 


domingo, 20 de novembro de 2011

Educar para a mídia na escola segundo a lei municipal n.8623



A partir da aprovação da Lei Municipal n. 8623, de 2/6/2011, de autoria do vereador Marcio de Souza,  que dispõe sobre a implantação da Educação para a mídia nas escolas de Florianópolis, no dia 08/11/2011, participei de um debate promovido pelo Núcleo de Tecnologia Municipal para discutir alguns aspectos dessa lei com o referido vereador, com professores da rede municipal e auxiliares de ensino e tecnologia, a Mesa Redonda: mídia-educação, conceitos, práticas e legislação.

Ao iniciar os trabalhos, a profa. Cláudia, representando o Núcleo de Tecnologia  Municipal, NTM,  lembrou que há exatos 5 anos, discutíamos a elaboração da Carta deFlorianópolis para a Mídia-educação,  no contexto do I Seminário de Pesquisa em Mídia-educação, ocorrido na UFSC no s dias 13 e 14/11/2006, numa promoção do Núcleo Infancia, Comunicação, Cultura eArte, NICA, UFSC/CNPq,.  Entre as ações propostas na Carta, estava a inclusão da mídia-educação nos currículos e na formação inicial de professores e a continuidade das propostas de formação continuada.  

Assim, foi possível perceber que apesar das dificuldades que temos encontrado, muitas propostas de ação da Carta estão sendo viabilizadas por diversas pessoas comprometidas com a mídia-educação, tanto no âmbito  das práticas pedagógicas escolares e da formação continuada de professores, como no âmbito na formação inicial,  das pesquisas e das políticas públicas. 

No entanto, ainda temos muito a construir, sobretudo na busca do diálogo entre tais espaços de ações.

Ao situar o contexto de elaboração da lei, o vereador pontuou algumas repercussões que já vem observando por parte da mídia. No debate, esclareceu que desconhecia o trabalho já desenvolvido nas salas informatizadas da rede pública municipal e as propostas de formação viabilizadas pelo NTE.

Minha participação no debate se deu a partir de 5 pontos:

1)A importância da Lei 8623. No contexto da sociedade multitela, da informação, do conhecimento evidenciamos o protagonismo da mídia entre pessoas e conhecimento e consequentemente nos deparamos com  os desafios da educação contemporânea na formação de crianças, jovens e professores, o que demanda  pesquisas e políticas públicas que dialoguem com seus resultados. 

2) Mídia e formação de professores. Destaquei a realização da pesquisa em parceria desenvolvida com professores da rede municipal “Os usos dos meios, os consumos culturais e a formação de professores em mídia-educação”, entre 2008 e 2010 e seus principais resultados no que diz respeito ao acesso às tecnologias;  aos usos da mídia na escola, aos perfil profissionais em relação às tecnologias (não –usuário, iniciante, praticante, pioneiro); às dificuldades encontradas (formação, infraestrutura e manutenção); às boas práticas (produção midiáticas diversas, audiovisual, blog, radio); os descompassos entre o alto uso pessoal e baixo uso profissional e os consumos culturais: muita navegação na internet no tempo livre e pouca prática cultural de ir ao  cinema, teatro, shows, etc.

3) Ênfases da lei 8623 e a mídia-educação: considerando as perspectivas da Mídia-educação (crítica:educar sobre/para as mídias; metodológica/instrumental: educar com as mídias; e produtiva/expressiva: educar através das mídias) e seu  objetivo de  formar sujeitos críticos e criativo que usem todas as mídia como condição de cidadania instrumental e de pertencimento assegurando a partir dos direitos relacionados aos 3 P: proteção, provisão e participação, percebemos que o  artigo 2 da lei 8623 enfatiza “o objetivo principal orientar e estimular o senso crítico”, ou seja, a dimensão crítica de educar para as mídias.

Importante reconhecer a necessidade do pensamento crítico e reflexivo sobre o que se assiste na televisão e enfatizar o consumo responsável, mas não basta. Há que ir além  e pensar na dimensão da produção responsável. Ainda que o artigo 3 da lei 8623 sugere “forma complementar ações” (leitura de noticias, produção d e conteúdos de alunos, jornal, blog, radio, etc) parece que o desafio é inverter o foco: em vez de enfatizar a “influência das mídias”, pensar nas possibilidades de respostas e mediação.  

Afinal, hoje, crianças e jovens não são apenas espectadores, são também autores que estão produzindo e compartilhando suas produções em rede. E o desafio é como educar para a produção responsável? Nesse aspecto o a Artigo 4 da lei 8623 sugere possibilidade de integração da educação para a mídia na escola  através de palestras/oficinas/conteúdos das disciplinas e o Artigo 5 da lei 8623 indica: Oficinas para professores e pais/responsáveis. Mas a pergunta que fica é como viabilizar? 

4)Cultura digital e a lacuna na lei: a relação de crianças e jovens  com a cultura digital.  Mencionando a pesquisa EUKids on line,  destacamos  alguns riscos das atividades online no que diz respeito aos conteúdos, contatos, comércio e condutas que propiciam práticas inadequadas, irresponsáveis  e não éticas sem a devida mediação. Também mencionamos as possibilidades de aprendizagens diversas, colaborativas e participativas que podem ser propiciadas por certas atividades online.

Aqui, destacamos a importância de articular a  lei com a prática pedagógica na perspectiva da mídia-educação no sentido dos novos letramentos e das mediações na perspectiva das múltiplas linguagens, ou multiliteracies, como possibilidades de inclusão digital que ultrapasse a dimensão do acesso ao equipamento e da crítica, implicando a qualidade e mediação cultural significativa. 

5) Leis, políticas públicas e mídia-educação: nesse sentido enfatizamos a importância de leis e políticas públicas - seja  de inserção das TIC nas escolas, seja  de inclusão de conteúdos disciplinares -  articuladas com políticas de formação do professor e suas competências na perspectiva da midia-educacão. Ou seja, defendemos a necessidade de políticas públicas  que sejam participativas e que professores e pesquisadores têm muito a dizer e a contribuir com a consolidação da mídia-educação, que  esta deve ser um  patrimônio de todo professor que se torna também midia-educador.

Imagem: http://mediainfluenceonyoungchildren.blogspot.com/

domingo, 13 de novembro de 2011

Seminário UCA Bahia

Após implantação do projeto piloto UCA em diversos estados do país, a equipe que acompanhou o UCA na Bahia organizou um Seminário para avaliar a experiência, analisar os desafios e pensar encaminhamentos possíveis a partir da discussão dos problemas. Compartilho parte das reflexões e discussões que ocorreram no Seminário que participei, nos dias 3 e 4/11/2011, no Instituo Anísio Teixeira, em Salvador, promovido pelo GEC/UFBA.

Entre as dificuldades apontadas, evidenciamos a dificuldade com acesso à internet, uma vez que a maioria das escolas baianas ainda não está conectada. Parece que só entregaram as máquinas sem o servidor para funcionar e nese caso a lógica/filosofia do software livre (SL) não funciona. E quando a a conexão funciona, os acessos são lentos demais. Então a pergunta: qual o caminho da política para realmente implantar a base de funcionamento do projeto?

Ao mesmo tempo em que o CNPq financia projetos para avaliar a implantação e desenvolvimento do Prouca, parece que há a necessidade de um olhar fora do MEC para apontar o dado de realidade: o que se faz com as pesquisas feitas? Como as políticas públicas dialogam com elas?

Ao situar estas e outras questões para o debate, Nelson Pretto (UFBA) relembra os propósitos da reunião de trabalho reafirmando a dimensão ativista, ao lado da dimensão acadêmica e da dimensão política do encontro. Como avançar para que os computadores não fiquem prisioneiros da lógica dos “projetos pedagógicos” no sentido de “ensinar conteúdos curriculares”? Como adequar o modelo de escola na construção do mundo contemporâneo? É possível  envolver outras instâncias em nível macro e micro (prefeitura, pontos de cultura) no sentido do projeto assumir uma dimensão que pode fazer a diferença em termos de bagagem simbólica? É possível incorporar o computador como elemento de formação da cidadania, para além de ensinar disciplinas?

Ao criticar o equívoco da relação entre Estado/Município/Universidade/MEC,a lógica da universidade "global e local", como se uma fosse menor que a outra, acaba por reproduzir a filosofia catedral e não basal, princípio este que orienta a filosofia do SL. Mas o fato de certas políticas públicas nascerem de uma forma equivocada, e por vezes com traços esquizofrênicos, não significa que devemos continuar seguindo a mesma lógica para resolução dos conflitos instalados.

Como ainda não se tem um política de banda larga sem fio, a ação política do Prouca transcende o currículo e demanda ação ativista de cada um dos envolvidos.
É difícil pensar um projeto quando não se sabe ao certo o que está acontecendo e nem que são os responsáveis no MEC, ainda mais quando os discursos oficiais assumem que o momento é o dos tablets. Então, como articular um projeto de formação e uso dos computadores nas escolas como opssibilidade de exercer a cidadania?

Ao situar o histórico das políticas de tecnologia na educação, Paulo Cysneiro (UFPE) destacou  3 iniciativas: Educom (1983); Proinfo (1997); UCA (2005) e situou a importância da capacitação, avaliação e pesquisa. 

A esse respeito, fico pensando como a formação inicial acompanha essa discussão? Se as políticas públicas parecem ser esquizofrênicas, até que ponto não estamos reproduzindo essa lógica, uma vez que grande parte dos professores dos cursos de licenciatura pouco dialogam com as pesquisas feitas nesse campo?

Elisa Quartiero (UDESC) destacou a importância de pensar ações para avaliar o UCA  para além da escola, situando a semelhança dos problemas nos projetos em SC e BA.

Por sua vez, Maria Helena Bonilla(UFBA) ressaltou a dimensão formativa e inclusiva do projeto no sentido de entender o uso da máquina como cultura e comunicação, pois o resto será conseqüência. 
Relacionado a isso, os que entendem que as máquinas "são da educação", esquecem que também são da comunicação, e que transformar o UCA em “computador educacional” é matar o potencial do computador. A esse respeito, Nelson lembrou que no Uruguai, onde houve a implantação do UCA em todas escolas do país, crianças e adolescentes já estão programando e produzindo com o "uquinha" deles. Isso exige repensar não apenas as práticas pedagógicas escolares mas a questão das linguagens, dos currículos, da organização da escola e toda  sua arquitetura.

Nesse sentido, precisamos ir além do entendimento do pedagógico como sinônimo de “controle” para pensar na dimensão da participação e todas as tensões que fazem parte do processo formativo.

A partir de comentários de alguns professores que demonstraram certo descontentamento por não terem sido consultados sobre o projeto, criticando inclusive as propostas de capacitação nele previstas, é importante deixar claro que nós também estamos nos formando nesse processo e em muitas situações vamos aprendendo com os estudantes. “Também criticamos a linearidade das propostas de formação” e “também fomos pegos de surpresa”, destacam Bonilla e Nelson.  E aí deve entrar a nossa sabedoria, em se apropriar desse processo aproveitando a infra na perspectiva de modificar o projeto de formação e o próprio UCA.

Sabedoria também de se apropriar desse processo de formação para construir juntos, nós, que temos certa expertise sobre isso e não abrimos mão dela, junto com os professores das escolas que sabem de fato o que acontece na ponta do processo. “Não vamos chegar onde os alunos estão porque não é nossa função, afinal, não queremos voltar a ser crianças e nem eles vão querer ser mais velhos”.

A escola é isso, encontro entre diferentes gerações e temos que assumir nosso papel de educar. Precisamos discutir a lógica de formação para além da apropriação da máquina. Tem que saber o que se pode fazer com as tecnologas móveis na escola para além do UCA. Isso pode significar uma perspectiva de criar e “integrar um parque tecnológico na escola”, e se possível, integrar as políticas do infocentro e dos pontos de cultura, destaca  Nelson. E para isso, o professor tem que ser liderança, chamar para conversar e se envolver no processo para que possamos juntos apontar alguns caminhos de formação e  integração, e claro, fazer a rede funcionar.

Essa foi uma pequena amostra do começo da nossa mesa de  conversa, pois o Seminário continuou com relatos de experiências nas escolas participantes do projeto: E. E Júlia Montenegro Magalhães(Cícero Dantas), E. E. Mª Antonieta Alfarano (Salvador); E. M.Jesus Bom Pastor (Barro Preto);E. M. Argentina Castelo Branco (Gandu); Escola Duque de Caxias (Irecê); E. E. Lindemberg Cardoso (Salvador);E. M. Edgar Santos (Maracangalha); E. E. Pe. Carlos Salério (Itabuna); E. M. Prof. Dasio J. de Souza (Candeias); Centro  Territorial Educação Profisisonalizante (Feira de Santana).


Apesar da diversidade de experiencias e projetos desenvolvidos, as dificuldades pareciam se repetir. Após trabalho em grupo para discutir os problemas relacionados a infraestrutura, formação de professores, relação família-uca, gestão e logística, e uso do "uquinha" houve o momento de  debate das propostas de encaminhamentos, que seriam sistematizadas com o indicativo de uma petição online exigindo condições e infraestrutura para todas as escolas do UCA Brasil.


                                                        Fonte da imagem: http://recursosmidiaticosnte11.blogspot.com/

domingo, 23 de outubro de 2011

20 anos de GT Educação e Comunicação na ANPED


Mesmo 20 dias após a 34ª Reunião anual da ANPED, realizada nos dias 2 a 5/10/2011 no Centro de Convenções de Natal,  RN, vale registrar algumas impressões sobre os trabalhos alusivos aos 20 anos de GT. Momento programado desde a reunião passada, a apresentação dos trabalhos encomendados foi coordenado por Nelson Pretto, que chamou atenção sobre certos embates conceituais na miríade de concepções teóricas e de objetos de estudos presentes no grupo desde 1992.

Como exercício de síntese muito particular, compartilho alguns fragmentos e falas:

Rosa B. Fischer falou sobre alguns “Rastros de um passado nem tão remoto: mídias audiovisuais em 20 anos de pesquisa”. Se fazer história é sempre narrar o presente (Nietzsche e Foucault) e a memória é um modo de operar sobre os registros, Rosa buscou trazer alguns acontecimentos mais que fatos. Nas ausências e silêncios as escolhas são movimentos.
Ela destaca 5 rastros que têm marcado a produção no GT:
1.Espectador ativo: estudos de imagens e criação do GT, ênfase no papel do sujeito ativo e nos estudos de recepção
2.Teoria crítica e seus entornos: suspeita da possibilidade do “sujeito ativo”
3.Análise dos discursos midiáticos: produção audiovisual fora dos estudos da imagem
4.Linguagem, imagem e memória: por uma estética do olhar?
5. GT como objeto de estudo: a necessidade de se olhar
Entre 140 trabalhos analisados e mais de 50 resumos, os estudos da imagem ganham densidade ao se debruçar sobre estudos do cinema e da fotografia. Em cheque, as fragilidades metodológicas e nessa visibilidade de superfície emerge o teórico-empírico que fortalece a pesquisa. Como desafio, abandonar a repetição e criar, criar também a partir de uma “infidelidade”.

Guaracira Gouveia abordou “As mídias impressas nas pesquisas em educação e comunicação”. Com uma narrativa da produção do artigo, ela pergunta “o que é considerado mídia impressa hoje?” Uma vez que nessa classificação cabe desde HQ, livro e fotografia até jornais e revistas, ela analisou em torno de 259 trabalhos.
Ao buscar intencionalidades e marcadores empíricos, evidenciou 2 focos: linguagem e produção de sentido. Seu olhar sobre os trabalhos traz um alerta “não estamos mais estranhando, estamos repetindo”.

Maria Helena Bonilla, por sua vez, falou sobre “A presença da cultura digital no GT Educação e Comunicação da ANPED”. Entendendo a cultura digital não apenas como uso, enfatiza os processos e seus entornos no fluxo da informação, os dispositivos e as redes. Num percurso que vai da informática educacional às tecnologias digitais, Bonilla chamou a atenção sobre o movimento do GT e o movimento da sociedade. Com análise de 47 trabalhos e sua categorização, construiu um grande mapa destacando as categorias: formação de professores,TIC na escola, Jovens e as linguagens das TIC como tendências de pesquisa que vão chegando inicialmente de forma dispersa mas que depois se consolidam incorporando a cultura digital.
Como lacuna de pesquisa evidenciou a inclusão digital, as licenças abertas, o software livre e os direitos autorais, “questões que estão pegando fogo na sociedade e que nós, pesquisadores não estamos discutindo isso no GT”.
Entre filiações e tendências diversas, destacou que as bases metodológicas são da pesquisa qualitativa e que a etnografia virtual ainda aparece só como objeto. Na bricolagem de autores, a diversidade de enfoques teórico-metodológicos convive sem grandes divergências. E como necessidade, a demanda de interlocução entre as políticas públicas e a produção na área.

Para finalizar, Marco Silva falou sobre  “EAD e EOL no GT 16”. Com um mapeamento de 34 trabalhos, destacou fatores, categorias e teorizações presentes nos cenários da EOL e EAD, e o papel das interfaces e redes sociais.
Entre análises críticas evidenciou os AVA subutilizados e a falta da mediação docente na EAD. Como “achado” destacou que “sem mediação docente não há educação”. Elementar meu caro Marco.
 
Após esse breve panorama da história do GT, como introdução ao debate após tantos anos de Caxambu, Nelson provocou: “Por que não um GT Ponta Negra?”, 


e destacou a necessidade urgente de a educação enfrentar a discussão sobre o direito autoral, a TV Estatal e Pública, a Inclusão Digital e a Banda Larga, as Políticas Públicas, e a  “governança da internet e os interesses do mercado financeiro”.

Ele também chamou a atenção para a concentração de pesquisas da região  sul/sudeste como excessiva concentração de poder dessas regiões e o imaginário que está sendo passado de que só se produz ciência no eixo RJ-SP “a não ser algo bombachesco do RS e cajuístico do NO”.
 
Por fim, o protesto contra o retrocesso do MINC em relação à lei Rouanet, aos Pontos de Cultura e à Lei do Direito Autoral.

E o que isso tudo interpela aos participantes do GT Educação e Comunicação e suas pesquisas nos passados e próximos 20 anos?

  

domingo, 25 de setembro de 2011

Primavera de ideias


Cada estação tem a sua beleza e embora elas se manifestem em períodos do ano específicos, não é raro vivermos as 4 estações num momento, dia, mês ou de várias outras maneiras.

Simbolicamente, este setembro está marcando um momento muito fértil de ideias, encontros e parceiras que florescem de diversas formas. O mês começou com a participação no XXIV Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, INTERCOM, que aconteceu nos dias 2 a 6/09, em Recife, tendo como tema “Quem tem medo da pesquisa empírica”, onde apresentamos um trabalho sobre telejornalismo e crianças. 

Na conferencia de abertura “O novo ecossistema midiático torna a pesquisa mais importante que nunca”, Rosenthal Calmon Alves, destacou que o momento em que estamos vivendo é considerado tão revolucionário como raramente se viu nas diversas passagens e transformações da história da humanidade. Nessas rupturas que estamos vivendo a partir da cultura digital, é comum sentirmos dúvidas sobre os riscos que tais mudanças promovem na passagem do analógico ao digital. Embora o foco da atenção de Alves tenha sido o jornalismo, ele enfatizou a possibilidade de entender este momento histórico e as tecnologias digitais como um processo de mediamorphosis  (descrito por Fidler)  ou como mediacide   para se referir à morte da mídia industrial e surgimento de outra lógica comunicacional.

Embora saibamos que os  processos de transformação não ocorrem apenas pela lógica da substituição, o novo ecossistema comunicacional interpela aos que atuam na educação  de diferentes maneiras, pois diante de tantas transformações que estão acontecendo em nossa volta, parece ser difícil continuar a ensinar/aprender apenas da forma como fazíamos antes. Entre entusiasmo/utopia e resistências/reticências, ficamos, provisoriamente, com a dúvida. Mas uma dúvida que mobiliza, inquieta e desafia, não a que paralisa...

Dúvida que também faz sentir que nossas questões podem ser tão pequenas diante da grandiosidade de certas obras de arte, como a do escultor e artista plástico Francisco Brennand  e seu espaço de criação e exposição com mais de 3000 peças. 

Ali, as esculturas a céu aberto integradas à natureza do lugar, juntamente com desenhos e pinturas que instigam nosso olhar, conhecer e conversar com o artista foi uma dessas raras ocasiões que a vida nos presenteia e faz lembrar o valor da sensibilidade, da poesia e da sabedoria que mistura histórias de vida com literatura e arte.


Outro momento de encontros e inspiração foi no XV Encontro Internacional da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, SOCINE, nos dias 20 a 23/09/11, no Rio de Janeiro, com o tema Imaginários Invisíveis. Pensar a relação entre cinema e educação a partir do pré e pós cinema pode ser muito instigante, ainda mais quando permite circular por outras possibilidades para entender os imaginários do cinema como espaço de transformação; performances de imersão diante de imagens cinematográficas que se desdobram em várias mídias, na relação entre cinema e arte, de André Parente; no ser invisível que se pode vislumbrar nas paisagens afetivas de Denílson Lopes; nas narrativas transmidiáticas que redefinem as formas de audiovisual e o papel do espectador, de Arlindo Machado; nos encontros com livros inusitados que nos captam, como o organizado por José Gatti e Fernando M. Penteado, Masculinidades teoria, crítica e artes ; e nas redes diversas entre pessoas e projetos que são promovidos a partir de histórias com educação e cinema, como por exemplo a registrada no livro Crianças, Cinema e Educação:além do arco-iris , lançado no respectivo evento.
   
Enfim, compartilhar estudos, projetos e pesquisas com pessoas queridas é um belo começo de primavera que certamente vai inspirar outros encontros geradores de ideias-presentes em cada estação...
 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Objetos da infância e caixas de brinquedos

Entre tantas formas possíveis de começar uma disciplina num curso de Pedagogia, ao lado da apresentação da ementa, por que não começar com uma apresentação da turma pedindo para cada um trazer um objeto de sua infância e contar o motivo de tal escolha? Foi assim que fizemos em Educação e Infância VI: conhecimento, jogo, interação, linguagens, onde na materialidade de cada objeto, brinquedo, livro, caderno de desenho, elástico, outras imaterialidades foram surgindo através de histórias e depoimentos da vida de criança junto a natureza, em árvores e balanços revelando pequenas apresentações de cada um no grupo.

Como as múltiplas linguagens serão objetos de nosso estudo, assistimos a um curta  feito com celular para o “Nokia 2011 Shorts", The Adventures of a Cardboard Box (As aventuras de uma caixa de papelão). Conta a história de um garoto e sua caixa de papelão que se transforma em brinquedo e companheira fiel de suas aventuras. Um filme doce, poético e cheio de imaginação que nos lembram passagens de histórias semelhantes. Então surge uma pergunta: o que cabe na nossa caixa de papelão e no que ela pode se transformar ao longo do curso?





No Canteiro de obras, Benjamin tem um texto lindo que diz: “As crianças sentem-se irresistivelmente atraídas pelos destroços que surgem da construção, do trabalho no jardim ou em casa, da atividade do alfaiate ou do marceneiro. Nestes restos que sobram elas reconhecem o rosto que o mundo das coisas volta exatamente para elas, e só para elas. Nesses restos elas estão menos empenhadas em imitar as obras dos adultos do que em estabelecer entre os mais diferentes materiais, através daquilo que criam em suas brincadeiras, uma nova e incoerente relação. Com isso, as crianças formam seu próprio mundo de coisas, mundo pequeno inserido em um maior”.

Resguardadas as devidas especificidades históricas do tempo em que o texto foi escrito, por volta da década de 30, e embora muitas crianças hoje nem saibam o que faz um alfaiate, elas continuam atraídas por brincar nas mais diversas construções, criando suas brincadeiras e estabelecendo os sentidos mais inusitados aos olhos dos adultos.

E entender a importância do brincar é um dos desafios para quem trabalha com crianças, pois se elas “fazem história a partir do lixo da história”, como Benjamin diz e o filme mostra, como se relacionar com esse universo? As múltiplas linguagens podem ser uma pista... (além de ser tarefa do próximo encontro!)



segunda-feira, 11 de julho de 2011

Em busca de outras linguagens para expressar a infância


Ao longo do último mês da disciplina Educação e Infância II, estudamos o texto Ressignificando a Psicologia no Desenvolvimento: uma contribuição crítica à pesquisa da infância, de Solange Jobim e Souza, que trouxe outros olhares da Psicologia para pensar a temporalidade humana e o desenvolvimento da criança. Discutimos a importância do jogo e das linguagens na constituição do sujeito e também visitamos o museu do brinquedo da Ilha de Santa Catarina e a brinquedoteca do Colégio de Aplicação.

Ao recuperar aspectos da vivência do “nosso tempo de infância”, foi inevitável pensar no que brincam as crianças hoje: as eternas brincadeiras com bolas, bonecas, carrinhos e aventuras juntos à natureza convivem com heróis e personagens de filmes e programas de TV, videogame, jogos de computadores e outras atividades das crianças em rede. Vimos que pensar as práticas culturais das crianças hoje implica situar a complexidade de relações que as crianças hoje estabelecem com as mídias e tecnologias.

Nesse sentido, o texto Crianças na era digital: desafios da comunicação e educação, de Monica Fantin e Pier Cesare Rivoltella, foi a referência para discutirmos o olhar da comunicação à infância. A partir das considerações teóricas, das experiências pessoais, familiares e profissionais, discutimos os riscos e as possibilidades das atividades on line das crianças. Destacamos os direitos de proteção, provisão e participação das crianças em relação às mídias e a necessidade de mediações educativas, uma questão que precisa ser refletida nos cursos de formação também para entender o processo de socialização das crianças hoje.

Em busca de diálogo com algumas formas contemporâneas de produção e socialização de conhecimentos, realizamos oficinas sobre blog http://filosomidia.blogspot.com/  e audiovisual, que buscaram oferecer algum subsídio para a expressão e comunicação em outras linguagens. Como tarefa e síntese, uma produção autoral e audiovisual a partir de uma pesquisa sobre aspectos da própria infância.

Na socialização de tais produções, os temas variavam com cenas da infância, retratando com imagens e sons momentos especiais juntos a familiares, amigos, cenas de percursos  escolares, ingresso na universidade, com algumas imagens que também pareciam um book de auto-retratos. Além de se emocionar com tais produções pelo olhar do outro, quando cada estudante explicava como tinha feito o audiovisual, as dificuldades/facilidades que sentiram, a escolha das imagens, da música, etc. o grupo foi percebendo o quanto aquilo foi significativo para cada. Sobretudo a importância de se aventurar em outras possibilidades expressivas para contar a sua história.

Na avaliação final, fragmentos que recuperaram parte do que foi visto e aprendido na disciplina durante o semestre: diferentes modos de olhar a criança, o respeito na pesquisa, as peculiaridades da infância em outros contextos socioculturais, a importância do brincar e alguns desafios da educação hoje. Por fim, concluímos que não apenas encerramos a disciplina mas também deixamos nossas marcas...


terça-feira, 28 de junho de 2011

Filmes e políticas públicas para o audiovisual na Mostra de Cinema Infantil

Entre os dias 23/6 a 10/7/2011 acontece a 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis  com uma bela e diversificada programação para crianças e adultos. Para quem se interessa por cinema e pordução audiovisual para crianças, certamente será uma boa ocasião para atualizar o repertório fílmico e discutir a elaboração de políticas públicas para a cultura e para a infância.

A fim de consolidar um espaço de exibição de filmes de diferentes culturas traduzindo aspectos da diversidade e multiplicidade cultural daquilo que tem sido produzido no Brasil e no mundo, a Mostra exibiu em pré-estreia nacional, o filme Uma professora muito maluquinha, de André Alves, que contou com a participação de Ziraldo. Na Mostra Competitiva Diversidade Brasil, teve o lançamento do curta-metragem O Caminho das Gaivotas, de Alexandre Rodrigues, Bárbaro Ortiz, Daniel Herthel e Sergio Glenes, numa co-produção em parceria por meio de um projeto de cooperação cinematográfica entre Brasil e Cuba que em breve estará disponível para o público. Vale destacar a participação de crianças de escolas cubanas e brasileiras na discussão do conteúdo do filme. Após a sessão de lançamento, o público teve a oportunidade de conversar com os diretores e produtores num diálogo que trouxe as vozes das crianças revelando suas curiosidades  e impressoes sobe o filme, inclusive sobre a narração e voz da cantora cubana Omara Portuondo, que deu um brilho especial à poética e complexidade do filme.



 

Além de uma programação com atividades para as crianças, a mostra oferece uma programação para adultos. Aconteceu o 7º Encontro Nacional de Cinema Infantil reunindo produtores, diretores, distribuidores, exibidores, cineclubistas e secretaria do Audiovisual do MINC e coordenador da TV Brasil para discutir questões ligadas ao fomento, à produção e ao mercado para o audiovisual. Nessa discussão tão evidente quanto a importância de políticas públicas para o setor e para a infância, é a necessidade de bons roteiros para qualificar a produção nacional.

No Encontro da Comissão Nacional de Cinema Infantil, especialistas da área, produtores e cineastas - como Luiza Lins, Carla Esmeralda, Marialva Monteiro, Patrícia Duraes, Patrícia Alves Dias – discutiram com Secretária do Audiovisual do MINC, Ana Paula Santana, a importância de parcerias na elaboração de políticas públicas para o audiovisual. A secretária destacou que somente um trabalho coletivo que envolva e agregue os Ministérios da Cultura, da Educação, da Justiça, das Relações Exteriores pode repercutir na construção de uma política para a infância e que se nos últimos anos a infância tem sido das últimas prioridades, ela destacou que pretende inverter isso e assumindo tal compromisso publicamente.

Na continuidade da programação para adultos, vale destacar o Seminário Estadual de Cineclubismo, Cinema e Educação, que além da discussão o tema em questão serão lançados diversos livros sobre cinema e educação, entre eles, o de minha autoria Crianças, Cinema e Educação: além do arco-iris, fruto de uma pesquisa com crianças, realizada no Brasil e na Itália